A Força Feminina em Ascensão no Agro Brasileiro

A presença feminina no agronegócio brasileiro tem se tornado cada vez mais visível no campo, na gestão das propriedades e nas decisões que movimentam o setor. Ao longo das últimas décadas, mulheres vêm expandindo sua participação em diferentes etapas da produção rural.
Esse movimento também aparece nos números. Dados do Censo Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que cerca de 947 mil estabelecimentos rurais no Brasil são dirigidos por mulheres, o equivalente a 19% das propriedades agropecuárias do país. A presença feminina na liderança rural não é um acontecimento recente. Ela vem crescendo gradativamente. Em 2006, as mulheres representavam cerca de 12,7% dos responsáveis por estabelecimentos rurais. O aumento registrado na última década revela uma mudança progressiva no perfil de quem está à frente da produção no campo.
Essa participação está distribuída por todas as regiões brasileiras, refletindo a diversidade do próprio agronegócio nacional. O Nordeste concentra a maior quantidade de propriedades dirigidas por mulheres, com 538 mil estabelecimentos. Em outras regiões, como Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste, a presença feminina também se consolida, mostrando que a atuação das mulheres no campo se espalha por diferentes realidades produtivas do país.

Além de conduzirem propriedades rurais, as mulheres também estão à frente da gestão de grandes áreas produtivas. Estima-se que aproximadamente 30 milhões de hectares de terras agrícolas no Brasil estejam sob administração feminina, o que representa cerca de 8,5% da área total ocupada pelos estabelecimentos agropecuários.
A participação feminina no agronegócio também pode ser observada na força de trabalho do setor. Estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), indicam que quase 11 milhões de mulheres trabalharam no agronegócio brasileiro em 2023, representando cerca de 38% das pessoas ocupadas no setor. Essa presença se distribui por toda a cadeia produtiva. Cerca de 4,5 milhões de mulheres atuam diretamente dentro das propriedades rurais, participando das atividades de produção. Outras 1,9 milhão trabalham na agroindústria, enquanto aproximadamente 4,3 milhões atuam em serviços ligados ao agronegócio, como comércio, logística, assistência técnica e gestão. Por trás desses números está uma transformação mais ampla, impulsionada pelo maior acesso à educação, à qualificação profissional e às oportunidades no meio rural.
A ampliação do acesso à qualificação profissional também contribuiu para esse avanço. A ETA, uma das mais antigas escolas agrícolas brasileiras, até 1961, era uma escola exclusivamente masculina. Segundo registros históricos da instituição, a primeira mulher a se formar como Técnica Agrícola no país foi Zara Souza Kornelius, diplomada em 1964. Formada em um período em que o curso ainda era predominantemente masculino, Zara posteriormente atuou como técnica rural na Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, tornando-se uma das pioneiras da participação feminina na área.

Crescimento da presença feminina entre técnicos agrícolas
O avanço da participação feminina no agronegócio também se reflete na qualificação profissional e nos registros do CFTA. No Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA), a presença feminina vem crescendo de forma constante nos últimos anos.
Atualmente, o CFTA possui cerca de 16 mil profissionais técnicas agrícolas registradas em todo o país. Esse número representa 15,47% do total de aproximadamente 105 mil registros profissionais ativos, indicando uma presença cada vez mais significativa de mulheres em atividades técnicas voltadas ao agronegócio. O crescimento também pode ser observado no número anual de novos registros concedidos a profissionais do sexo feminino. Em 2020 foram registrados 748 novos registros de mulheres. Já em 2024 esse número chegou a 1.604, o maior da série recente. O aumento representa um crescimento de aproximadamente 114% no volume anual de registros femininos no período.
O CFTA acredita que a presença feminina no agronegócio tende a continuar crescendo, impulsionada pelo aumento da qualificação profissional e pela maior participação das mulheres nos cursos técnicos. A ampliação do número de técnicas agrícolas registradas e a crescente inserção feminina nas diferentes áreas da cadeia produtiva indicam um cenário promissor, no qual as mulheres devem assumir papéis cada vez mais relevantes no desenvolvimento, na inovação e na sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
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