Mês da Mulher Técnica Agrícola
Técnica agrícola Sonia Mara Lamb destaca o protagonismo feminino no agro
A presença feminina no agronegócio brasileiro tem crescido de forma significativa nas últimas décadas, ocupando espaços cada vez mais estratégicos na produção, na gestão e na assistência técnica. Entre as profissionais que constroem essa trajetória está Sonia Mara Lamb, técnica agrícola que atua na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul.
Em 2026, Sonia completa 20 anos de atuação na vida pública na Secretaria estadual, além de acumular experiência anterior de dois anos no Governo Federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A escolha pela formação técnica nasceu de um sonho antigo. Segundo ela, o desejo de estudar em uma escola agrícola surgiu ainda na juventude, mas o caminho até a aprovação exigiu persistência.
“Sempre desejei estudar em uma escola técnica, mas não conseguia aprovação no processo seletivo, principalmente por causa da ansiedade no momento da prova. Após concluir o ensino médio tradicional, surgiu a oportunidade de ingressar na primeira turma do curso pós-médio em Agropecuária do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen (CAFW). Encarei essa chance como a concretização de um sonho muito aguardado. Assim iniciei minha trajetória e me tornei técnica agrícola”, relembra.
Após concluir a formação, Sonia realizou seu registro profissional, etapa fundamental para o exercício da profissão. Para ela, a regulamentação e a exigência de habilitação profissional foram determinantes para a valorização da atividade técnica.
“O registro no Conselho confere reconhecimento legal à profissão, reforça a responsabilidade técnica e amplia a credibilidade das atividades exercidas. Inclusive, meu primeiro emprego já exigia o registro profissional, o que evidenciou desde o início da minha trajetória a importância da habilitação para o exercício da função.”
Atuação estratégica na cadeia produtiva
Sonia destaca que o trabalho do técnico agrícola desempenha papel essencial no desenvolvimento do setor agropecuário.
“O técnico agrícola tem uma função estratégica na disseminação de informações técnicas de forma direta, clara e acessível ao produtor rural. Essa atuação contribui para a melhoria dos processos no campo, promovendo aumento da produtividade, maior eficiência e, consequentemente, melhor rentabilidade ao produtor.”
Na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, ela atua no setor de fiscalização animal, desempenhando diversas atividades relacionadas à organização e ao planejamento operacional.
Entre suas atribuições estão o planejamento das escalas dos Programas Sentinela e Guaritas, iniciativas voltadas à vigilância agropecuária em regiões estratégicas do Estado. A profissional também participa da organização, controle e estocagem de materiais utilizados pelas unidades locais de atendimento distribuídas pelo território gaúcho.
Além disso, integra o planejamento e a aquisição de insumos estratégicos destinados ao enfrentamento de eventuais emergências sanitárias.
Desafios e superação
Ao iniciar sua carreira, Sonia enfrentou desafios comuns às mulheres que ingressaram no agro em períodos em que o setor era predominantemente masculino.
“Foi necessário provar constantemente que, por ser mulher, eu era plenamente capaz de desempenhar o trabalho com a mesma competência — ou até superior — em determinadas atividades. Enfrentar o preconceito, o machismo e a desconfiança quanto à capacidade feminina de realizar um trabalho de excelência foi desafiador, mas também fortalecedor.”
Segundo ela, essas experiências contribuíram para seu crescimento profissional e pessoal, consolidando sua atuação com ainda mais responsabilidade e determinação.
Crescimento da presença feminina no agro
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Sonia observa uma mudança significativa no perfil do setor.
“Hoje encontramos muito mais mulheres atuando no campo e também nas escolas técnicas, onde o número de alunas tem aumentado significativamente.”
A técnica agrícola também cita o próprio exemplo familiar como reflexo dessa transformação.
“Somos três irmãs, e duas de nós somos técnicas agrícolas. Isso demonstra que cada vez mais mulheres estão conquistando seu espaço e fortalecendo sua presença no setor agropecuário.”
Para ela, atuar como mulher no agro representa um compromisso que vai além da própria trajetória profissional.
“Ser mulher e atuar como técnica agrícola significa representar força, competência e superação em um setor que historicamente foi predominantemente masculino. É mostrar, por meio do trabalho diário, que capacidade técnica, responsabilidade e dedicação não têm gênero.”
Um futuro cada vez mais feminino no campo
Na avaliação da profissional, a tendência é que a participação feminina continue crescendo no agronegócio brasileiro.
“A presença feminina no agro continuará se fortalecendo com competência, inovação e sensibilidade. O setor precisa de diversidade, e a participação das mulheres contribui diretamente para um ambiente mais colaborativo, produtivo e sustentável.”
Para as jovens que desejam seguir a profissão, Sonia deixa uma mensagem de incentivo:
“Não tenham medo de ocupar seu espaço. O agro é um setor de oportunidades que valoriza conhecimento, dedicação e responsabilidade — qualidades que independem de gênero. Persistam, estudem e acreditem na própria capacidade. Cada passo dado abre caminho para outras mulheres. O lugar da mulher é onde ela quiser estar, inclusive no campo, na gestão e na liderança do agro.”


