Entrevista com o diretor de Fiscalização e Normas Gilmar Zachi Clavisso

Com mais de quatro décadas dedicadas à defesa da categoria, o diretor de Fiscalização e Normas compartilha sua trajetória no movimento classista e analisa os avanços conquistados pelos Técnicos Agrícolas com a consolidação do CFTA.
Técnico Agrícola formado em 1978 pela Escola Agrícola de Paraguaçu Paulista (SP), Gilmar Zachi Clavisso construiu uma trajetória marcada pelo associativismo e pela defesa da categoria. Iniciou sua carreira em empresas de projetos, laudos e consultoria no estado de São Paulo e, posteriormente, no Paraná, atuou por 38 anos na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER/PR).
Em 1987, participou da fundação do Sindicato dos Técnicos Agrícolas do Paraná, consolidando sua atuação no movimento classista. Entre 2003 e 2004, foi assessor do Bloco Agropecuário da Assembleia Legislativa do Paraná. Também exerceu o cargo de secretário municipal de Meio Ambiente em Piraquara (PR), nas gestões 2005/2008 e 2008/2012.
Atualmente aposentado, segue atuando como agricultor, além de elaborar projetos e prestar consultorias. É vice-presidente da Federação Nacional dos Técnicos Agrícolas (Fenata) e da Associação dos Técnicos Agrícolas do Paraná (Ataepar). Há mais de 30 anos participa ativamente do movimento dos Técnicos Agrícolas no estado e em âmbito nacional.
Seis anos do CFTA
Gilmar relembra que sua atuação no movimento dos Técnicos Agrícolas teve início ainda na década de 1980.
“Entrei no movimento no Paraná entre 1983 e 1984. Começamos com o núcleo regional, depois avançamos para a associação e, em 1987, fundamos o Sindicato dos Técnicos Agrícolas. Em 1988 conquistamos a carta sindical. Na Fenata, passei a atuar nesse mesmo período. São mais de 40 anos dedicados à defesa da profissão.”
Ele destaca que, antes da criação do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA), a categoria enfrentava constantes restrições.
“Embora tivéssemos nossas atribuições garantidas pela Lei nº 5.524/1968 e regulamentadas pelo Decreto nº 90.922/1985, éramos obrigados a nos registrar no CREA. Para exercer atividades já previstas em lei, muitas vezes precisávamos recorrer ao Judiciário. Isso gerou prejuízos significativos à profissão ao longo de décadas.”
Segundo o diretor, a criação de um conselho próprio sempre esteve no horizonte da categoria.
“Desde a aprovação da Lei nº 5.524, já havia a possibilidade de criação de um conselho próprio, mas essa iniciativa foi barrada. Ao longo dos anos, houve diversas tentativas legislativas. Em determinado momento, chegamos a aprovar a criação do conselho no Congresso, mas a proposta não foi sancionada. Somente em 2015 e 2016 retomamos o projeto de forma estruturada, até a consolidação do CFTA.”
Ele explica que a decisão pela criação de um conselho específico para os Técnicos Agrícolas foi estratégica.
“Avaliamos que, em um conselho único com outras categorias técnicas, nossas diversas modalidades poderiam perder espaço. Defendemos o princípio de um conselho próprio, voltado exclusivamente aos Técnicos Agrícolas, respeitando nossa identidade e nossas atribuições.”
Autonomia e reconhecimento
Para Gilmar, a principal conquista dos últimos seis anos foi a autonomia profissional.
“Hoje temos um conselho que fiscaliza e, ao mesmo tempo, não restringe o mercado de trabalho do Técnico Agrícola. É um conselho que respeita a formação técnica e abre oportunidades de atuação.”
Ele ressalta ainda o fortalecimento institucional da categoria.
“Com o CFTA, passamos a ter reconhecimento no mesmo nível de outros conselhos profissionais. Isso gera respeito perante o mercado e a sociedade. Paralelamente, sindicatos, associações estaduais e a federação continuam desempenhando papel fundamental na conquista e ampliação de atribuições.”
Formação e futuro da profissão
Ao projetar o futuro da categoria, Gilmar enfatiza a importância da qualificação técnica contínua.
“Vivemos em uma cultura que valoriza excessivamente títulos acadêmicos formais. No entanto, o mercado também exige formação técnica especializada, voltada às cadeias produtivas e às áreas específicas de atuação.”
Ele defende que o fortalecimento da formação técnica é essencial para consolidar a presença da categoria no mercado.
“Precisamos garantir que o Técnico Agrícola esteja altamente qualificado para atuar nas diversas áreas — agricultura, meteorologia, paisagismo, agrimensura, produção animal, agroindústria, entre outras. O campo de trabalho está aberto, mas exige preparo.”
Segundo ele, o CFTA, em conjunto com as entidades representativas, tem papel estratégico nesse processo.
“Temos a possibilidade de investir na qualificação dos profissionais, fortalecendo sua credibilidade e competitividade no mercado. Esse é o caminho para assegurar o futuro da profissão.”

