Entrevista com o diretor administrativo Josimar Torres Luiz

Com raízes no campo e atuação direta na cafeicultura, Josimar Torres Luiz compartilha sua vivência profissional, analisa os impactos da criação do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas na rotina da categoria e aponta os caminhos para o fortalecimento do Técnico Agrícola nos próximos anos.
Técnico Agrícola, natural de Juruaia (MG), Josimar Torres Luiz é filho de cafeicultores e atuou na propriedade da família até os 15 anos de idade. Formou-se Técnico Agrícola em 2005, pela Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho. Em 2009, especializou-se em Tecnologia de Cafeicultura pelo Instituto Federal do Sul de Minas.
Entre 2009 e 2014, dedicou-se ao empreendedorismo, trabalhando na produção de café no Sítio Boa Vista. No período de 2012 a 2013, atuou como tutor de ensino a distância do curso técnico em Cafeicultura no Instituto Federal do Sul de Minas – Campus Muzambinho. Posteriormente, em 2014 e 2015, trabalhou na área de vendas da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Em 2022, concluiu pós-graduação em Cafeicultura pela Rehagro – Referência em Educação para o Agronegócio.
Conselheiro federal do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA) em 2022, atualmente exerce suas atividades profissionais na área de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé.
Seis anos do CFTA
Ao ser questionado sobre os seis anos de atuação do CFTA, Josimar refletiu sobre o passado da profissão, os avanços conquistados e as perspectivas para o futuro.
“Para mim, a realidade do Técnico Agrícola naquela época era a de ser apenas ‘mais um’ em um universo de muitas prioridades. Sentíamos falta de uma casa que falasse exclusivamente a nossa língua.”
Segundo ele, um dos maiores desafios era a ausência de entendimento específico sobre a rotina do profissional técnico.
“O maior desafio que vivenciei foi a falta de compreensão sobre as especificidades da nossa atuação. A realidade do técnico é muito particular — envolve crédito rural na ponta, manejo direto no campo. Hoje, no CFTA, não precisamos explicar essa realidade, porque quem nos atende compreende exatamente o que fazemos.”
Josimar destaca que sua trajetória no Conselho está diretamente ligada à sua base profissional.
“Minha história com o CFTA nasce da minha vivência prática. Tenho a gratidão de trabalhar em uma empresa com mais de 100 Técnicos Agrícolas, acompanhando diariamente a rotina da profissão. Quando o Conselho foi criado, enxerguei a oportunidade e também a responsabilidade de ser uma voz para esse grupo.”
Ele ressalta que participar da construção do Conselho foi uma extensão do seu próprio trabalho.
“Viver o processo de estruturação do CFTA foi a chance de levar a realidade prática de mais de uma centena de colegas para dentro das decisões da diretoria, garantindo que o novo Conselho nascesse conectado com quem realmente faz a agricultura acontecer.”
Entre os avanços alcançados, o diretor destaca o fortalecimento da identidade profissional.
“O que mais me orgulha é o resgate da nossa identidade. Participamos da construção de algo que devolveu dignidade ao Técnico Agrícola.”
Para ele, as mudanças concretas também são perceptíveis no dia a dia da categoria.
“A principal transformação foi a desburocratização e o fortalecimento da segurança jurídica. Hoje temos um sistema ágil para emissão de TRTs, resoluções que respeitam nossas atribuições legais e, principalmente, liberdade para atuar. O técnico deixou de ser um coadjuvante burocrático para assumir sua autonomia no desenvolvimento agrícola do país.”
Perspectivas para o futuro
Ao projetar o futuro da profissão, Josimar aponta a consolidação como próximo passo.
“O trabalho mais difícil, que foi estruturar o Conselho, já foi realizado. Agora, o desafio é consolidar esse espaço e garantir que o Técnico Agrícola seja reconhecido como indispensável em toda a cadeia produtiva.”
Ele também enfatiza a importância da qualificação contínua e da ocupação de espaços estratégicos.
“Temos a lei. Agora precisamos fortalecer nossa presença nas mesas de decisão do agronegócio e acompanhar a evolução tecnológica do campo. O Conselho assegura nossa liberdade de atuação, mas é a competência técnica atualizada que garantirá nosso valor no mercado.”

