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Entrevista com o diretor financeiro Valdecir Aparecido Vasconcelos

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Trajetória marcada pela atuação no campo, no associativismo e na gestão pública, o diretor financeiro relembra os desafios antes da criação do CFTA, destaca as conquistas dos últimos seis anos e aponta caminhos para a valorização dos Técnicos Agrícolas no Brasil.

 

Técnico Agrícola formado em 1994 pela Escola Estadual Professor “Urias Ferreira”, em Jaú (SP), Valdecir Aparecido Vasconcelos é filho de agricultor familiar e desde cedo atuou nas atividades rurais para auxiliar a família. Ao longo de sua trajetória, participou ativamente de movimentos em defesa do agronegócio paulista e nacional.

Iniciou sua carreira profissional em propriedades de café, laranja, seringueira e pecuária. Em 1999, passou a atuar na área de vendas de defensivos agrícolas e, em 2001, ingressou em uma empresa de agroquímicos, onde trabalhou com pesquisa e desenvolvimento de produtos.

Entre 2009 e 2012, assumiu o cargo de secretário de Meio Ambiente do município de Tabatinga (SP). Também exerceu mandato como vereador e presidente da Câmara Municipal, além de ter atuado como diretor de Agricultura e Meio Ambiente do município.

Em 2013, iniciou suas atividades no Sindicato Rural, especializando-se na área ambiental até 2017. A experiência no associativismo o levou ao empreendedorismo, fundando sua própria empresa de consultoria ambiental e regularização de imóveis rurais — atividade que exerce até hoje.

Atualmente, é presidente da Associação dos Técnicos Agrícolas do Estado de São Paulo (Atesp) e vice-presidente da Federação Nacional dos Técnicos Agrícolas (Fenata).

 

 

 

Seis anos do CFTA

Ao relembrar o cenário anterior à criação do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA), Valdecir destaca os desafios enfrentados pela categoria.

A realidade do Técnico Agrícola era muito difícil. Estávamos vinculados ao sistema CONFEA/CREA, que restringia e dificultava nossa atuação profissional. Para garantir atribuições já previstas em lei, muitas vezes era necessário recorrer à via judicial. Isso impactava diretamente nossa liberdade de atuação no mercado.”

Ele relata que sua motivação para se engajar no movimento pela criação de um conselho próprio surgiu em 2013, ao prestar serviços para o Sindicato Rural de Ibitinga.

Quando tive contato com um contrato fundamentado no Decreto nº 90.922, passei a estudar profundamente a legislação. Percebi que tínhamos respaldo legal para exercer diversas atividades. A partir daquele momento, decidi contribuir com o movimento, dando continuidade ao trabalho realizado por colegas que já lutavam pela valorização da categoria. Essa mobilização, somada ao trabalho da Fenata, culminou na criação do nosso Conselho Federal.”

Entre as principais conquistas dos últimos seis anos, o diretor financeiro destaca a autonomia profissional.

Hoje, quando nos apresentamos como Técnicos Agrícolas vinculados a um conselho próprio, isso fortalece nossa posição no mercado. Temos liberdade para atuar, elaborar projetos e desenvolver atividades dentro das nossas atribuições legais, inclusive na área ambiental. Isso nos traz orgulho e segurança.”

Valdecir também ressalta os desafios enfrentados pelo CFTA em seus primeiros anos de estruturação.

Trata-se de um conselho novo, que enfrentou momentos complexos, como a pandemia e as enchentes no Rio Grande do Sul. Ainda assim, consolidou-se como uma instituição moderna, com processos digitais, agilidade nos atendimentos e reconhecimento nacional. Isso nos dá satisfação e segurança para exercer a profissão.”

 

Perspectivas para o futuro

Ao projetar o futuro da categoria, Valdecir reforça a importância da continuidade do fortalecimento institucional.

Não podemos permitir o enfraquecimento da profissão. O Técnico Agrícola tem um mercado de trabalho amplo e estratégico. O CFTA está empenhado em garantir as atribuições já previstas em lei e em buscar novas frentes de atuação, acompanhando as demandas do mercado.”

Ele também enfatiza o investimento em qualificação.

O Conselho tem investido em capacitação, oferecendo cursos e oportunidades de atualização para que os profissionais estejam preparados para as exigências técnicas do setor. Quanto mais qualificados estivermos, maior será o reconhecimento e a valorização da profissão.”