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CFTA participa das comemorações dos 110 anos do CECAT e destaca os desafios do exercício profissional

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Presidente Mário Limberger ministrou palestra durante a programação realizada na Escola Técnica de Agricultura de Viamão, que reuniu conhecimento, tradição e gerações ligadas à formação agrícola.

A história do ensino técnico agrícola e da organização profissional dos Técnicos Agrícolas ganhou destaque nas comemorações dos 110 anos do Centro dos Estudantes dos Cursos Agrotécnicos (CECAT), realizadas em outubro, na Escola Técnica de Agricultura (ETA), em Viamão, no Rio Grande do Sul. Com apoio institucional do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA), a programação reuniu atividades técnicas, encontros entre ex-alunos e momentos de celebração de uma trajetória que se confunde com a própria evolução da formação agrícola no estado.

O presidente do CFTA, Mário Limberger, participou do evento no dia 9 de outubro, quando ministrou a palestra “Os Desafios do Exercício Profissional dos Técnicos Agrícolas”. A participação levou ao encontro uma reflexão sobre a realidade da categoria e a importância de discutir os caminhos da profissão diante das transformações do setor agropecuário.

A celebração dos 110 anos do CECAT representa mais do que a passagem de uma data histórica. Ela recupera uma parte importante da trajetória da educação profissional no Brasil e evidencia como a formação técnica, a convivência entre estudantes e o associativismo contribuíram para construir uma categoria que hoje exerce papel estratégico na produção de alimentos, na assistência técnica e no desenvolvimento rural.

Uma história iniciada com a formação para o campo

As origens da Escola Técnica de Agricultura de Viamão remontam a 1910, quando teve início o Curso de Capatazes Rurais. A iniciativa surgiu em um período no qual a formação especializada para as atividades agrícolas e pecuárias começava a ganhar espaço como instrumento de modernização da produção rural.

A escola construiu uma trajetória pioneira no ensino técnico voltado à agropecuária, formando profissionais que passaram a atuar em diferentes áreas da produção, da assistência técnica, da pesquisa, das cooperativas, das empresas e das instituições públicas. Ao longo de mais de um século, a ETA tornou-se uma referência histórica na formação de profissionais para o setor.

Sua contribuição não se limita ao conhecimento transmitido em sala de aula ou às atividades práticas desenvolvidas durante a formação. A instituição também foi um espaço de convivência, construção de lideranças e organização coletiva, valores que influenciaram o desenvolvimento do movimento dos Técnicos Agrícolas no Rio Grande do Sul.

Foi nesse ambiente que, em 28 de setembro de 1916, estudantes do então Curso de Capatazes Rurais criaram o Grêmio dos Estudantes do Curso de Capatazes Rurais (GECCR), origem do CECAT. A iniciativa estabeleceu um vínculo entre a vida estudantil, a representação coletiva e o compromisso com a formação profissional.

Em 1949, depois de diferentes denominações ao longo de sua trajetória, a entidade passou a se chamar Centro dos Estudantes dos Cursos Agro-Técnicos, nome que permanece associado à sua história. O CECAT atravessou gerações de estudantes e se consolidou como parte da identidade da comunidade etiana.

CECAT: tradição, convivência e formação de lideranças

Ao longo de 110 anos, o CECAT acompanhou diferentes momentos da história da ETA e da educação agrícola. Sua trajetória está ligada à formação de profissionais que seguiram caminhos diversos, contribuindo para a produção agropecuária, a educação, a ciência, a gestão pública e o desenvolvimento econômico.

A entidade também representa uma tradição de convivência e participação estudantil. As experiências compartilhadas durante a formação, os vínculos construídos entre colegas e a identificação com a escola ajudaram a manter viva uma comunidade que continua reunindo antigos alunos mesmo décadas depois da conclusão dos cursos.

Nesse processo, a Associação dos Ex-Alunos da ETA desempenha papel importante na preservação da memória institucional e no fortalecimento dos laços entre diferentes gerações de etianos.

Criada em 1991, a associação também participou de uma iniciativa marcante para a história do CECAT: a mobilização pela recuperação de sua sede histórica. A campanha de restauração, iniciada em 2013 por ex-alunos e apoiada pela entidade, resultou na reinauguração do prédio em setembro de 2016, durante as comemorações do centenário.

A recuperação desse espaço simboliza o esforço coletivo para preservar não apenas uma construção, mas também as lembranças, os valores e a história de uma comunidade formada em torno da educação agrícola.

As comemorações de 2026 renovam esse compromisso. Ao reunir antigos alunos, profissionais e pessoas ligadas à instituição, o aniversário reafirma a importância da memória como elemento de identidade e como referência para as próximas gerações.

Da organização estudantil à representação profissional

A história do CECAT também ajuda a compreender como a organização dos estudantes e dos profissionais formados pela ETA contribuiu para o fortalecimento da categoria dos Técnicos Agrícolas.

Em 1941, profissionais diplomados pela escola participaram da criação da Associação dos Técnicos Rurais do Rio Grande do Sul, posteriormente conhecida como Associação dos Técnicos Agrícolas do Rio Grande do Sul (ATARGS). A entidade se tornou uma referência na representação da categoria e teve papel importante na articulação do movimento associativo em âmbito nacional.

Nas décadas seguintes, esse movimento avançou com a criação de outras entidades estaduais, a organização sindical e o fortalecimento da Federação Nacional dos Técnicos Agrícolas (FENATA), fundada em 1989.

Essa trajetória de mobilização contribuiu para a conquista de reconhecimento legal, para a defesa das atribuições profissionais e para a construção de uma estrutura de representação compatível com a importância dos Técnicos Agrícolas para o país.

Um marco fundamental ocorreu em 2018, com a Lei nº 13.639, que criou o Conselho Federal dos Técnicos. O CFTA passou a funcionar efetivamente em 2020, estabelecendo uma nova etapa na orientação, disciplina e fiscalização do exercício profissional.

A criação do Conselho foi resultado de décadas de mobilização e organização coletiva. Nesse sentido, a história da ETA e do CECAT integra um contexto mais amplo: o de uma categoria que construiu, ao longo do tempo, os instrumentos necessários para ampliar seu reconhecimento e fortalecer sua atuação.

Os desafios do exercício profissional

Presidente do CFTA, Mário Limberger, durante palestra na programação dos 110 anos do CECAT

Presidente do CFTA, Mário Limberger, durante palestra sobre os desafios do exercício profissional.

Foi nesse contexto que Mário Limberger apresentou a palestra “Os Desafios do Exercício Profissional”, durante a programação comemorativa realizada em 9 de outubro.

A presença do presidente do CFTA aproximou a celebração histórica das questões que fazem parte do cotidiano dos profissionais. A atividade profissional exige atualização permanente, responsabilidade técnica, conhecimento da legislação e capacidade de acompanhar as transformações que chegam ao campo.

O avanço das tecnologias, a digitalização dos processos produtivos, o uso de ferramentas de georreferenciamento, a agricultura de precisão e a busca por sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis ampliam as possibilidades de atuação dos Técnicos Agrícolas. Ao mesmo tempo, reforçam a necessidade de formação contínua, ética e compromisso com a qualidade dos serviços prestados.

A participação do CFTA na programação, por meio do apoio institucional e da palestra de seu presidente, reforça a importância do diálogo entre as instituições de ensino, as entidades representativas e os profissionais que atuam nas diferentes áreas do setor agropecuário.

Uma profissão diante de novas oportunidades

A transformação tecnológica do campo abre novas perspectivas para os Técnicos Agrícolas. Ferramentas digitais, sensores, sistemas de monitoramento, equipamentos de precisão e análise de dados vêm ampliando os recursos disponíveis para o planejamento e o acompanhamento das atividades rurais.

Essas mudanças não eliminam a importância do conhecimento técnico tradicional. Pelo contrário: tornam ainda mais necessário compreender o solo, as plantas, os animais, as máquinas, os processos produtivos e as condições econômicas e ambientais de cada propriedade para interpretar corretamente as informações e tomar decisões.

A atuação profissional também ganha relevância diante da necessidade de produzir mais e melhor, com uso racional dos recursos, redução de perdas e atenção à sustentabilidade. Nesse cenário, os Técnicos Agrícolas podem contribuir em diferentes etapas da produção, da assistência técnica ao planejamento, da mecanização à agricultura de precisão, sempre respeitando as atribuições e os limites legais de sua habilitação.

O futuro da profissão dependerá, em parte, da capacidade de acompanhar essas mudanças, investir em qualificação e demonstrar, na prática, o valor do conhecimento técnico. Também dependerá do fortalecimento das instituições que representam a categoria e da continuidade do trabalho voltado à valorização profissional.

A trajetória iniciada nas primeiras experiências de formação agrícola, fortalecida pela organização estudantil e ampliada pelo associativismo, mostra que o desenvolvimento da profissão não aconteceu de forma isolada. Foi construído por pessoas e instituições que compreenderam a importância de trabalhar coletivamente.

Celebrar o passado para construir o futuro

Ao completar 110 anos, o CECAT reafirma sua ligação com a história da ETA e com as gerações que ajudaram a consolidar o ensino técnico agrícola no Rio Grande do Sul. A comemoração também valoriza o papel da Associação dos Ex-Alunos da ETA na preservação dessa memória e na manutenção dos vínculos entre profissionais formados pela instituição.

Para o CFTA, apoiar institucionalmente essa iniciativa significa reconhecer a importância histórica da formação agrícola e fortalecer o diálogo com uma comunidade que contribuiu para a construção da identidade profissional dos Técnicos Agrícolas.

A participação de Mário Limberger na programação simboliza essa conexão entre a trajetória construída ao longo de mais de um século e os desafios que se apresentam para a categoria. Se a história da ETA e do CECAT é marcada pela formação, pela organização e pela busca por conhecimento, o futuro da profissão continuará exigindo esses mesmos valores, agora associados às novas tecnologias e às demandas de uma agropecuária em constante transformação.

Mais do que celebrar 110 anos de história, o CECAT reafirma a importância de manter viva a ligação entre educação, exercício profissional e desenvolvimento do campo. Uma trajetória que honra as gerações que vieram antes e inspira os Técnicos Agrícolas a continuar construindo o futuro da profissão.