
Técnico Agrícola do IDAM, que também já integrou o Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas, recebeu o Prêmio Internacional da Amazônia 2026 em reconhecimento ao trabalho desenvolvido junto às comunidades do interior do Estado.
Há 27 anos, George Mario Grijó da Silva dedica sua trajetória profissional à assistência técnica e à extensão rural no Amazonas. Técnico Agropecuário do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), ele atua diretamente junto a produtores e comunidades do interior, levando orientação técnica, conhecimento e apoio para o desenvolvimento da produção rural.
Esse trabalho foi reconhecido com o Prêmio Internacional da Amazônia – 2026, homenagem que destaca sua atuação em parceria com o ISAAMA, além de sua contribuição voluntária junto a diferentes entidades e iniciativas sociais.
Mais do que uma distinção individual, o reconhecimento coloca em evidência uma trajetória construída longe dos grandes centros e próxima de quem vive diariamente os desafios da produção rural.

Entre rios, comunidades e longas distâncias, o compromisso não conhece fronteiras. A bordo de um barco, George Grijó segue seu caminho para levar assistência técnica, conhecimento e apoio a quem faz da terra seu sustento.
Uma vida dedicada à extensão rural
Ao longo de quase três décadas de atuação, George exerceu diferentes funções dentro do IDAM, incluindo atividades de extensão rural e gestão de unidades do Instituto. Sua rotina profissional o levou a percorrer comunidades do interior do Amazonas para orientar produtores, acompanhar projetos e contribuir para o desenvolvimento da agricultura familiar.
Em muitos desses locais, chegar até as comunidades é um desafio. Distâncias consideráveis de Manaus e deslocamentos que envolvem avião, estrada e embarcações fazem parte da realidade de quem trabalha levando assistência técnica para regiões mais afastadas.
É nesse cenário que George desenvolveu sua atuação.
Para ele, a assistência técnica representa uma ferramenta fundamental para que os produtores tenham condições de melhorar sua produção e permanecer em suas comunidades.
Além da atuação profissional, George também desenvolve ações de caráter voluntário e social, utilizando seu conhecimento técnico para orientar pessoas e organizações.
O reconhecimento de quem conhece a realidade do campo
O presidente do CFTA, Mário Limberger, destacou a responsabilidade de George Grijó e de tantos outros Técnicos Agrícolas que atuam no Amazonas, muitas vezes enfrentando grandes desafios para levar assistência técnica às comunidades do interior. Segundo Limberger, o trabalho exige longos deslocamentos, com horas de viagem até municípios acessíveis apenas por barco, e, ainda assim, os profissionais chegam dispostos a atender e orientar quem precisa. Para o presidente, Grijó representa esses técnicos que trabalham muitas vezes de forma anônima, contribuindo diariamente para o desenvolvimento das comunidades amazonenses.
Reconhecimento a quem muitas vezes trabalha no anonimato
Para Ray Cordeiro, presidente do ISAAMA e que realizou a homenagem, o reconhecimento a George também representa uma forma de dar visibilidade a profissionais que desenvolvem um trabalho de grande impacto, mas que nem sempre recebem o devido destaque.
Segundo ele, George é reconhecido por sua disposição em percorrer longas distâncias e se aproximar diretamente dos produtores.
“Ele não mede esforços e nem a distância o impede de se aproximar do produtor rural.”
Para ele, a atuação de profissionais como George vai muito além da orientação técnica. Ao ajudar uma família a produzir e cultivar sua própria terra, o trabalho de extensão rural também contribui para fortalecer a permanência das comunidades no interior.

A valorização do Técnico Agrícola
A homenagem também ganha um significado especial para George por representar o reconhecimento de uma categoria que, segundo ele, ainda precisa conquistar maior valorização.
Durante sua trajetória, o técnico também participou da representação profissional da categoria. George já integrou o Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA) como conselheiro e atualmente mantém sua atuação voltada à defesa e ao fortalecimento dos Técnicos Agrícolas no Amazonas.
Em sua visão, a representação profissional precisa estar cada vez mais próxima da realidade vivenciada pelos técnicos nos estados, especialmente daqueles que atuam em regiões onde o acesso e as condições de trabalho são mais desafiadores.
“Eu sou da categoria. Vou lutar”
A experiência acumulada ao longo dos anos também fez com que ele passasse a defender uma maior estrutura de representação e valorização profissional para os Técnicos Agrícolas.
Um legado construído no interior
Para Ray Cordeiro, o trabalho desenvolvido por George já deixou uma marca nas comunidades onde atuou.
“Eu acredito que ele vai deixar um grande legado”
A declaração resume uma trajetória construída por meio do contato direto com produtores, famílias rurais e comunidades do interior. Em vez de permanecer restrito ao escritório, o trabalho de George acontece no campo, acompanhando de perto as dificuldades e as necessidades de quem produz.
A homenagem, portanto, não reconhece apenas um prêmio ou uma conquista pontual. Reconhece anos de dedicação à assistência técnica, à extensão rural e às pessoas que vivem da produção no interior do Amazonas.
Para George, o reconhecimento também representa um incentivo para continuar trabalhando pela categoria e pelas comunidades que acompanha.
A trajetória de George Grijó mostra que o trabalho do Técnico Agrícola ultrapassa a orientação sobre técnicas de produção. Em regiões onde conhecimento, acesso e assistência podem fazer diferença na permanência de uma família no campo, o profissional também se torna um elo entre o produtor, a produção e novas possibilidades de desenvolvimento.
O Prêmio Internacional da Amazônia – 2026 passa, assim, a integrar uma história de 27 anos dedicada ao campo, às comunidades e à valorização da profissão.