CFTA e Nater Coop discutem atuação dos Técnicos Agrícolas na emissão de receituários

A aproximação entre quem produz e quem atua tecnicamente no campo ganhou um capítulo importante em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. Em reunião com o presidente da Nater Coop, Denílson Potratz, o presidente Mário Limberger e o assessor institucional Valdir Raupp, representantes do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas (CFTA) trataram da atuação dos Técnicos Agrícolas da cooperativa nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais — em uma conversa que também evidenciou o reconhecimento da competência dos Técnicos Agrícolas no atendimento e orientação aos produtores rurais.
A presença desses profissionais faz parte da própria estrutura de assistência técnica da Nater Coop. Segundo o relato apresentado durante o encontro, as atividades de assistência técnica e a prescrição de receituários nas filiais da cooperativa são realizadas por Técnicos Agrícolas. Em uma organização que reúne milhares de pequenos produtores e agricultores familiares, muitos deles trabalhando em propriedades de áreas reduzidas e em terrenos de maior dificuldade, o conhecimento técnico ganha um papel ainda mais estratégico.
É nesse cenário que se destaca a atuação dos Técnicos Agrícolas na orientação da produção agropecuária e em questões relacionadas ao manejo da água e à infraestrutura rural. Durante a reunião, foi ressaltada também a participação desses profissionais em projetos de pequenas barragens e outras estruturas voltadas ao apoio da produção, mostrando como suas atribuições estão presentes em diferentes etapas da atividade no campo.
O reconhecimento dessa capacidade técnica é especialmente significativo em uma cooperativa com a dimensão da Nater Coop. A instituição, que nasceu da união de pequenos produtores e hoje reúne mais de 20 mil cooperados e cerca de 1.400 colaboradores, mantém uma relação direta com produtores rurais e com diferentes cadeias do agronegócio. Nesse contexto, o trabalho do Técnico Agrícola representa uma conexão direta entre o conhecimento técnico e a realidade de quem produz, contribuindo para que decisões tomadas no campo tenham respaldo profissional.
📌 A emissão dos TRTs em pauta
Foi justamente a partir dessa atuação que surgiu a oportunidade de aprofundar o diálogo entre as instituições sobre os procedimentos relacionados à emissão de receituários e dos Termos de Responsabilidade Técnica (TRTs) pelos Técnicos Agrícolas.
A conversa permitiu compartilhar informações, esclarecer aspectos relacionados ao exercício profissional e identificar oportunidades de alinhamento dos procedimentos adotados nas unidades da cooperativa, fortalecendo a segurança e a clareza na atuação dos profissionais.
Mais do que uma questão administrativa, a pauta reforça um dos papéis centrais do CFTA: promover o conhecimento e a correta aplicação das normas que regulamentam a profissão, contribuindo para que os Técnicos Agrícolas exerçam suas atribuições com segurança, respaldo técnico e clareza sobre suas responsabilidades. Ao mesmo tempo, o diálogo direto com instituições que contam com esses profissionais aproxima a regulamentação da realidade vivida diariamente no campo e contribui para o aprimoramento das práticas profissionais.
De uma união de produtores a uma referência no agro
A história da Nater Coop começa muito antes da marca que hoje circula pelo agronegócio brasileiro.
Em 6 de setembro de 1964, em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, 20 produtores de ovos decidiram unir forças para enfrentar um problema bastante concreto: conseguir ração de melhor qualidade por preços mais acessíveis e encontrar melhores caminhos para comercializar a produção.
Nascia, assim, a Cooperativa Avícola de Santa Maria de Jetibá, a Coopeavi. O que começou como uma iniciativa de pequenos produtores para ganhar força por meio da cooperação acabou se transformando, ao longo de seis décadas, em uma organização diversificada e de grande presença no agronegócio.
A expansão aconteceu passo a passo.
Em 1967, a cooperativa construiu seu primeiro armazém, voltado ao milho e aos produtos avícolas, além de uma fábrica de ração. Pouco depois, em 1968, iniciou o comércio atacadista de café em grãos — movimento que ajudaria a aproximar a cooperativa de uma das culturas mais importantes do Espírito Santo.
Nas décadas seguintes, a Coopeavi ampliou sua estrutura e diversificou suas atividades. Vieram as primeiras lojas agropecuárias, em 1988, e, em 1993, o início da implantação do Condomínio Avícola em Santa Teresa, apresentado pela própria cooperativa como o primeiro do Brasil voltado à postura de ovos.
A estratégia de crescimento continuou nos anos seguintes. A cooperativa incorporou novos negócios e organizações, entre eles a Cooperativa dos Cafeicultores das Montanhas do Espírito Santo (Pronova), e avançou para outras áreas da cadeia produtiva.
Um dos capítulos mais importantes dessa trajetória ocorreu em 2019, com a incorporação da Cooperativa Agropecuária do Norte do Espírito Santo e a entrada nos segmentos de laticínios e postos de combustíveis. Foi também quando a tradicional marca de laticínios Veneza passou a integrar o portfólio da cooperativa.
Em 2022, veio uma nova etapa dessa história: a marca Coopeavi deu lugar à Nater Coop. Mais do que uma mudança de nome, o reposicionamento acompanhou uma cooperativa que já havia ultrapassado suas origens na avicultura e reunia diferentes negócios ligados ao campo, à indústria, ao varejo e à comercialização de produtos agropecuários.
Uma cooperativa que cresceu com o produtor
Hoje, a Nater Coop atua em diferentes segmentos, entre eles café, ovos, leite e laticínios, pimenta-do-reino, gengibre, insumos agropecuários, nutrição animal, supermercados e postos de combustíveis.
Sua atuação também ultrapassou as fronteiras do Espírito Santo. A cooperativa mantém presença em Minas Gerais e comercializa café e pimenta-do-reino no mercado internacional. No relatório referente a 2024, a Nater Coop registra mais de 24 mil famílias cooperadas, uma equipe superior a 1.400 colaboradores e relacionamento com cerca de 30 mil produtores rurais. A rede conta ainda com 42 lojas de produtos agropecuários nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho alcançado pela organização. Em 2025, a cooperativa encerrou o ano com faturamento de aproximadamente R$ 2,3 bilhões, mantendo-se entre os principais nomes do agronegócio capixaba.
Mas talvez o aspecto mais interessante dessa trajetória esteja justamente na origem que permanece presente no modelo de atuação: a cooperação como ferramenta para fortalecer quem produz.
Desde os primeiros 20 avicultores que decidiram comprar ração juntos, a lógica permanece semelhante — unir forças para ampliar oportunidades.
Esse princípio também aparece na atuação da cooperativa junto aos produtores. Além da comercialização e do fornecimento de insumos, a Nater Coop desenvolve ações de capacitação e assistência técnica. Em 2024, por exemplo, suas Lojas Agro realizaram 347 ações, entre palestras, áreas demonstrativas, Dias de Campo, Tours Técnicos, capacitações e entregas técnicas.
É justamente nesse ponto que o diálogo com o CFTA ganha relevância.
Mais diálogo, mais oportunidades para os Técnicos Agrícolas
Em um setor cada vez mais marcado pela tecnologia, pela profissionalização e pela necessidade de decisões técnicas qualificadas, o Técnico Agrícola ocupa um espaço estratégico.
O profissional está próximo da realidade do produtor e pode atuar em diferentes etapas da produção agropecuária, contribuindo para transformar conhecimento técnico em resultados no campo.
Para o CFTA, aproximar-se de organizações como a Nater Coop significa também abrir espaço para discutir essa realidade, apresentar as competências dos Técnicos Agrícolas e identificar oportunidades para ampliar sua participação nas diferentes cadeias produtivas.
A visita institucional representa, portanto, mais um passo nessa construção.
De um lado, uma cooperativa que nasceu da união de 20 produtores e cresceu acompanhando as transformações do campo. Do outro, uma categoria profissional cuja história também foi construída pela união e pela mobilização coletiva.
A trajetória que levou à criação do CFTA começou muito antes do Conselho existir. Em 1941, Técnicos Agrícolas formados pela Escola Técnica de Agricultura de Viamão fundaram a então Associação dos Técnicos Rurais do Rio Grande do Sul, que posteriormente se tornaria a ATARGS — a primeira entidade representativa da categoria no país.
A partir dela, novas associações e sindicatos foram surgindo, até que, em 1989, esse movimento ganhou dimensão nacional com a criação da Federação Nacional dos Técnicos Agrícolas (FENATA).
Foram décadas de organização, mobilização e defesa da profissão até que essa caminhada culminasse, em 2018, na criação do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas, por meio da Lei nº 13.639. O CFTA passou a funcionar efetivamente em 2020, dando à categoria um Conselho próprio para orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional.
Duas histórias que nasceram de um mesmo princípio: a força de pessoas que entenderam que, juntas, poderiam ir mais longe. Na Nater Coop, produtores se uniram para conquistar melhores condições para produzir. No movimento dos Técnicos Agrícolas, profissionais se organizaram para conquistar reconhecimento, autonomia e espaço para exercer plenamente suas atribuições. É essa cultura de união que aproxima, simbolicamente, as trajetórias das duas instituições — e que dá ainda mais significado ao diálogo construído durante a visita.


